sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Ajudar ou outros

Por incrível que pareça (e parece que não há jeito de aprender!) ainda fico incrédula com a falta de entreajuda e solidariedade para com os outros.
Sinto uma indiferença, uma falta de querer saber... Onde está o prazer de praticar uma boa ação só porque sim? Não falo (ou escrevo) de caridade, de "oh, não me apetecia nada mas lá terá de ser", ou de sacrificar o nosso bem-estar pessoal em prol dos outros (o que não fica nada mal de vez em quando), mas simplesmente de "se eu posso ajudar, porque não?".
Infelizmente, nos dias que correm e dada a conjuntura do país e da Europa, cada vez as pessoas só podem contar com elas próprias para o seu sustento. A ideia de arranjares um emprego (já nem digo o dos teus sonhos!) e teres segurança por boa parte da tua vida, que te permita teres algum conforto e margem de manobra no dia-a-dia; essa ideia desapareceu. Já não existem cursos que te garantam o emprego, já não há experiência que te valha, já não há nada a que te agarrar... É a impotência total.
São estas as razões que hoje levam os jovens (e não só) a arregaçarem as mangas e a fazerem-se à estrada e à vida.Triste sina daqueles que queimaram pestanas, dinheiro em propinas e sabe-se lá que mais sacrificios feitos para depois sentirem-se desamparados, num mundo que não tem lugar para eles, em que apenas são números e estatísticas. Para muitos nada mais resta senão fazer as malas e dizer adeus à família, amigos e país para procurar melhor sorte além fronteiras. Destinos cada vez mais distantes... 
Os restantes, arregaçam as mangas e embarcam em projetos nunca antes sonhados, ou postos de lado em benefício do "curso superior", e aventuram-se nas mais diferentes áreas como artesanato (nas mais variadas vertentes), cozinha e doçaria, gadjets e inovações tecnológicas, agricultura, prestação de serviços... Nunca se viu uma geração tão polivalente e "desenrascada", a apostar nas suas habilidades e "manualidades", sem medo de ir à luta e arriscar naquela "ideia maluca" que nunca antes se pensou por em prática. E por isso temos a melhor geração de sempre (excluindo os que vão para a "Casa dos Segredos" :-o !).
Mas é preciso ajudar! É preciso sairmos da nossa zona de conforto e apostar nestas pessoas que tanto lutam para receber tão pouco, tão incerto...
 Não custa nada ajudar os outros, nem que seja aos pouquinhos de cada vez.
C.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A noite mais longa



Como não podia deixar de ser, ontem foi noite de maratona (e hoje é dia de opiniões!).
Desde que me lembro de ter algum interesse cinematográfico para além da Branca de Neve, a Oscars night sempre foi marcada religiosamente na minha agenda. Talvez seja o fascínio dos vestidos de alta-costura, do brilho das joias, das celebridades na passadeira vermelha… Talvez seja a grandeza do cinema em si, da arte de contar histórias ou simplesmente de dar vida e imagem aquelas que já imaginámos na nossa cabeça…
Ontem, aguentei estoicamente até ao fim (confesso que nem em todas consegui). Mas não foi fácil! É vergonhosa a massiva dose de publicidade e intervalos com que somos bombardeados! Chegou a um ponto de serem praticamente de 5 em 5 minutos. Dá vontade de desistir quando, às 4 da manhã, martelam-te a cabeça com anúncios a bolachas Oreo e a sites imobiliários! Mas enfim, aguentei!
Os vestidos desta gala, na minha opinião, foram uma desilusão. Não gostei do exagero de pérolas de Lupita Nyong'o (o ano passado estava bem mais bonita), do cinza pardo cor-de-burro-quando-foge de Felicity Jones e das luvas de amanhar o peixe de Lady Gaga (daqui já se espera qualquer coisa). Achei o verde-esmeralda de Scarlett Johansson fabuloso e o corte de cabelo também (já sabem, sou fã de curtos) e, o melhor da noite é, sem dúvida, a rosa elegante de Gwyneth Paltrow. Super super, top top!
Também a apresentação deixou a desejar. Confesso que esperava mais de Neil Patrick Harris, teve o seu momento (em cuecas) mas não foi “legen… wait for it… dary”!
Li algures (opiniões!) que o momento da noite foi a atuação da “Gaga”; realmente foi diferente do que ela nos habituou, num registo sonoro quase lírico, uma aparência “normal”. Mas achei fraca a homenagem ao “Música no Coração”. Um clássico que desde há 50 anos encanta gerações merecia mais. Sem dúvida que a atuação de John Legend, a interpretar o tema “Glory” do filme “Selma”, que lhe valeu o Oscar, foi bem mais emocionante como se pode ver nas lágrimas de que assistiu.
Chegamos aos filmes, o fundamental! Este ano, o leque era variado. Tivemos comédias, histórias de vida, momentos históricos, dramas e fantasia. O costume. Gostei da abrangência dos prémios, praticamente todos os “grandes” nomeados trouxeram uma estatueta para casa, com exceção de “Foxcatcher” que, das 5 nomeações, veio a zeros. O grande vencedor da noite, “Birdman”, que dobrou na realização e melhor filme, não me convence. Até pode ser realmente uma obra-prima da sétima arte mas… vi os primeiros 10 minutos e desisti! Se calhar sou só eu…
Galardão mais que merecido para Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo), interpretação maravilhosa, merecidamente reconhecida. Regista também o discurso mais emotivo da noite, o melhor.
Fiquei curiosa para ver “The Grand Budapest Hotel” e “Whiplash”, acho que me vou surpreender.
Resumindo… desta edição pouco se guarda. Poucos momentos memoráveis, pouco glamour, pouca piada. Soube a pouco, para o ano há mais!
C.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Treze anos...será assim tanto tempo?



Treze anos passados, parece que foi ontem…
Há treze anos atrás mudaste a minha vida, mudaste-me a mim. Por vezes parece impossível que tenhas estado dentro de mim, um ser pequenino, que amei ainda antes de te poder sentir. Recordo com emoção o dia em que vi o teu rosto pela primeira vez na ecografia, a chuchar no dedo, que revelou a minha menina, o dia em que te tornaste “a minha Gabriela”. E, mesmo passando a correr, já não me lembro como era a vida antes de te ter.
Foram tantas as emoções, as alegrias, as dúvidas e angústias; foi imenso o amor. E foi natural, fluido, como o rio que sabe o caminho para o mar. Ter-te nos meus braços, no meu colo, foi a sensação mais intensa que até hoje senti.
Agora olho para ti, vejo-te crescer, linda, inteligente, o meu maior orgulho. A minha melhor amiga. Sinto em nós uma cumplicidade, uma ligação, um entender sem falar… Um amor como não imaginei que pudesse existir.
Ver-te crescer, desabrochar, tornares-te mulher, preenche todo o meu ser. De todos os feitos alguma vez realizados, nada será como isto, como esta sensação de plenitude em perceber no maravilhoso ser humano em que te tornaste, na alegria que me dás. A minha Gabriela!
Ultrapassarei penhascos, matarei dragões, que o chumbo se transforme em ouro se não estarei cá sempre para te proteger.
Parabéns meu amor! Que a vida te sorria sempre, tal como o teu sorriso ilumina o Mundo em teu redor.
C.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

50 Sombras II

Ontem foi dia de cinema. Como não podia deixar de ser, fui matar a curiosidade e ver o tão afamado/mal falado filme do momento: As 50 Sombras de Grey. 
Não pude deixar de ficar surpreendida ao verificar uma sala completamente lotada, numa sessão da meia noite, em 2a feira de Carnaval. Realmente a expectativa é muita. 
O filme começa e logo nos primeiros minutos a desilusão é total. As cenas passam a correr, sem contextualizar a história , como se fosse passado em fast foward. A sensação é de que lemos duas páginas por capítulo. 
A escolha dos atores deixou muito a desejar, principalmente no papel de Mr Grey. Aquilo que mais me chamou a atenção foi o olhar negro, sem vida, vazio. Faz lembrar os olhos de um tubarão, escuros, sem profundidade. E é assim mesmo que caracterizo este filme, desprovido de qualquer história, focado apenas no aspecto sexual que, a meu ver, é secundário na história original. 
A necessidade de controlo de Grey, todas as inseguranças de Anastacia, as questões familiares de ambos, aspectos fulcrais na formação das personagens e que fazem do enredo um todo, são completamente ignoradas no filme. Todas as cenas de dominação, que no filme nem poderão ser consideradas eróticas por tão más que são, não demonstram que o verdadeiro objectivo era o prazer dela e não de Mr Grey. Fica por perceber todas as questões que o assombram, as dúvidas que o perseguem...
 Quem não tiver lido o livro fica totalmente à deriva, numa história que parece sem nexo, sem fio condutor. Normalmente os filmes baseados em livros, adaptações cinematográfica, ficam aquém do esperado, mas não estava à espera de uma desilusão tão grande. Apenas a banda sonora merece destaque (positivo).
O livro, que confesso que gostei de ler, não é merecedor de Nobel da Literatura mas este filme ganha, com certeza, um Razzie no próximo ano.
C.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Dia não



Sabem aqueles dias em que acordam bem-dispostas, com uns trocados a mais na carteira e cheias de vontade de ir às compras? E depois chegam às lojas e olham, olham e não vêm nada que agrade? Pois, hoje estou nesses dias…
Não sei se é do tempo cinzento, da chuva miudinha ou deste frio que se entranha nos ossos, hoje estou em dia não. Apesar de acordar cedinho, a manhã rolou e até parecia que o dia ia correr bem. No fim do almoço, o tempo embrulhou e nada como uma vista de olhos pelas montras para animar. Puro engano…
Cheguei ao shopping e deu logo para notar as férias, ou seja “pausa escolar”, dos miúdos. Parecia que tinham aberto as portas da creche e estavam a distribuir rebuçados. Depois de umas voltas a estudar o terreno, lá arrisquei entrar nas lojas. Na minha ideia estavam umas simples e básicas calças de ganga pretas, nada muito difícil de encontrar. Então a tortura começou… Por muito que olhasse tudo me parecia horrível. Ou a ganga era de péssima qualidade, ou era daquela que agarra todos os pelinhos e mais alguns, ou tinham mais buracos que tecido! Nada que pareceu bem. Entretanto, pelo canto do olho vi uma peça ou outra que me chamaram à atenção, nada que se compare aquele “tcharan!”, como quando vês aquela roupa que tens mesmo de ter, mas suficiente para me despertar a curiosidade. E lá fui eu, depois de voltas e mais voltas à loja, para os provadores. Tristeza… sabem aquela sensação que tudo fica mal, que pareces um saco de batatas e que a moda conspirou contra ti? Foi exatamente assim que me senti. Resolvi culpar o tempo, a chuva, o frio. Espero que o sol me traga outro ânimo, pelo menos um outro olhar.
Decididamente hoje não estou nos meus dias…
C.