Ontem fui finalmente participar
num workshop de Auto maquilhagem.
Já tinha tido diversos convites mas
sempre adiei. Será que preciso mesmo disso?! Costumo maquilhar-me ligeiramente,
dependendo da disposição, não gosto de nada muito carregado (sinceramente acho
que pareço mais velha), apenas quando saio à noite abuso um pouco mais. Finalmente
resolvi ceder e lá fui eu, disposta a descobrir todos os truques e segredos que
nos tiram anos de cima, tipo Photoshop
instantâneo, e fazem desaparecer milagrosamente todas as manchas, borbulhas e
vermelhões que nos atormentam ao espelho de manhã.
Realmente, aquilo tem que se lhe
diga! Apesar de não me considerar completamente leiga no assunto, confesso que
fiquei um pouco perdida no meio de tantos
primers, corretores, iluminadores, pós e afins… Mas lá continuei, seguindo
passo a passo as instruções que nos eram dadas, espalha daqui, esbate acolá. Ia
notando algumas diferenças mas pensei: será que vale toda esta trabalheira,
será que faz assim tanta diferença ou são só os meus olhos que querem ver (nem
que seja para justificar o dinheiro investido)?
Ao fim de algumas “camadas”
comecei realmente a acreditar. Depois da uniformização e iluminação da tez,
passámos ao olhar. Nada de complicado, apenas uns olhos esfumados, um look para
o dia-a-dia. Apenas o eyeliner me deu
mais que fazer (é o meu “calcanhar de Aquiles”, não atino com aquilo nem por
nada!), o truque é não abusar, apenas uma linha fininha, não há como errar.
Como eu gostava de saber fazer aqueles traços perfeitos, que alongam e
intensificam o olhar, tipo Cleópatra! Naaa, decididamente não é para mim…
E chegamos aos “finalmentes”! A
formadora/instrutora (não sei que designação lhe dar!) começa a falar de
lábios, tipos, formas, como hidratar e delinear. Escolhe-se o tipo de batôn, mate, gloss, hidratante e, o mais importante, a cor. Entre os rosas
pálidos e os tons pêssego que estavam a circular, saco eu do meu vermelho
vermelhão… et voilá! De repente,
todos os olhares se voltaram para mim! “Ena, adoro a sua cor, mas nunca teria
coragem…”. Foi com este tipo de comentários que as minhas parceiras me
brindaram. Quis acreditar serem um elogio ;-)
Fiquei a pensar… Será que a
coragem da mulher se vê na cor do batôn
que escolhe? Serei mais corajosa que elas por arrojar no tom dos meus lábios,
por não querer passar despercebida entre as gotas da chuva, por querer realçar
aquilo que gosto em mim? Sai de lá cheia de coragem… e confiança em mim. Terá
sido do batôn?
C.


