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domingo, 1 de fevereiro de 2015

Lipstick



Ontem fui finalmente participar num workshop de Auto maquilhagem.
Já tinha tido diversos convites mas sempre adiei. Será que preciso mesmo disso?! Costumo maquilhar-me ligeiramente, dependendo da disposição, não gosto de nada muito carregado (sinceramente acho que pareço mais velha), apenas quando saio à noite abuso um pouco mais. Finalmente resolvi ceder e lá fui eu, disposta a descobrir todos os truques e segredos que nos tiram anos de cima, tipo Photoshop instantâneo, e fazem desaparecer milagrosamente todas as manchas, borbulhas e vermelhões que nos atormentam ao espelho de manhã.
Realmente, aquilo tem que se lhe diga! Apesar de não me considerar completamente leiga no assunto, confesso que fiquei um pouco perdida no meio de tantos primers, corretores, iluminadores, pós e afins… Mas lá continuei, seguindo passo a passo as instruções que nos eram dadas, espalha daqui, esbate acolá. Ia notando algumas diferenças mas pensei: será que vale toda esta trabalheira, será que faz assim tanta diferença ou são só os meus olhos que querem ver (nem que seja para justificar o dinheiro investido)?
Ao fim de algumas “camadas” comecei realmente a acreditar. Depois da uniformização e iluminação da tez, passámos ao olhar. Nada de complicado, apenas uns olhos esfumados, um look para o dia-a-dia. Apenas o eyeliner me deu mais que fazer (é o meu “calcanhar de Aquiles”, não atino com aquilo nem por nada!), o truque é não abusar, apenas uma linha fininha, não há como errar. Como eu gostava de saber fazer aqueles traços perfeitos, que alongam e intensificam o olhar, tipo Cleópatra! Naaa, decididamente não é para mim…
E chegamos aos “finalmentes”! A formadora/instrutora (não sei que designação lhe dar!) começa a falar de lábios, tipos, formas, como hidratar e delinear. Escolhe-se o tipo de batôn, mate, gloss, hidratante e, o mais importante, a cor. Entre os rosas pálidos e os tons pêssego que estavam a circular, saco eu do meu vermelho vermelhão… et voilá! De repente, todos os olhares se voltaram para mim! “Ena, adoro a sua cor, mas nunca teria coragem…”. Foi com este tipo de comentários que as minhas parceiras me brindaram. Quis acreditar serem um elogio ;-)
Fiquei a pensar… Será que a coragem da mulher se vê na cor do batôn que escolhe? Serei mais corajosa que elas por arrojar no tom dos meus lábios, por não querer passar despercebida entre as gotas da chuva, por querer realçar aquilo que gosto em mim? Sai de lá cheia de coragem… e confiança em mim. Terá sido do batôn?
C.